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Coliving: você está pronto para morar em um espaço compartilhado?

Prédios ultramodernos, localizados em lugares privilegiados de grandes centros urbanos, compostos por apartamentos decorados e mobiliados com design assinado e diversos espaços de serviços e lazer, como academia, lavanderia, cozinha, piscina e escritório. Em locais como esses, residem milhares de pessoas que optaram por uma tendência em moradia chamada coliving.

Com certeza, você já conhece o coworking, espaço compartilhado de trabalho cada vez mais comum nas cidades. Agora, é a vez do coliving, apartamentos compartilhados que estão quebrando paradigmas na forma de viver. Impulsionada pela economia colaborativa, essa solução remonta aos modelos de habitação que surgiram na década de 1970 e, de certa forma, também é uma evolução das tradicionais repúblicas estudantis.

Ainda um pouco confuso sobre o que é um coliving? Fique tranquilo, vamos explicar melhor a seguir!

Afinal, o que é coliving?

Podemos dizer que o coliving é uma nova forma de viver e se relacionar, mais voltada a um movimento comportamental do que ao espaço físico em si. Um prédio de coliving é composto por diversos quartos individuais, normalmente com banheiros privativos, mas com espaços de serviços e lazer de uso comum. Seria, por exemplo, como viver em um hotel.

Você deve pensar que a ideia não é tão nova, afinal, hostels e repúblicas funcionam de maneira similar. Porém, enquanto esses lugares são habitados, geralmente, por jovens estudantes e/ou intercambistas com limitação de recursos financeiros, os colivings concentram empreendedores, nômades digitais, artistas e demais profissionais atraídos por um modelo de moradia pautado na troca de experiências.

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Inovador e disruptivo, o coliving The Collective é o maior espaço de moradias compartilhadas do mundo

Em um coliving, dividir e compartilhar são coisas bem diferentes. O coliving é, de certa forma, um movimento em sincronia com a economia colaborativa, sustentabilidade, relações humanas e aprendizado mútuo. É uma maneira mais eficiente e social de se viver, na qual as pessoas não estão lá por necessidade, mas por entender que aquilo é uma opção que agregará mais valor à vida delas, a sociedade e ao meio ambiente.

Fundamentos do manifesto coliving:

  •  Comunidade em harmonia com a individualidade;
  • Aproximação de pessoas e troca de experiências;
  • Consumo pensado na colaboração;
  • Projeção compartilhada de residências;
  • Economia de recursos naturais;
  • Divisão de decisões e tarefas.

Economia colaborativa e consumo consciente

As grandes metrópoles estão cada vez mais lotadas, fazendo que grupos de pessoas sejam empurrados para as periferias e/ou habitações precárias. Além disso, o consumo pelo consumo só gera danos ao planeta e esgota as reservas naturais. Viver de forma compartilhada é uma resposta a esses problemas.

Os prédios de moradias compartilhadas, normalmente, são bem localizados, em áreas disputadas e nas quais o preço de um imóvel é alto. Além disso, são mobiliados e equipados com artigos e eletrodomésticos de primeira linha, as opções de lazer e serviços também são abastadas, em alguns deles o preço da lavanderia, limpeza do quarto e até refeições está incluso no aluguel.

Contudo, não é o preço que atrai as pessoas dispostas a morar em um coliving, até porque o valor de um aluguel costuma ser semelhante ao de um apartamento. Quem escolhe morar em uma casa compartilhada é alguém que busca conexão, networking, experiências diferenciadas e o contato humano. Essas pessoas entendem que nos primórdios o ser humano vivia em comunidade e o coliving é uma forma de retomar isso.

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Compartilhar é uma característica que faz parte dos seres humanos. Nas moradias compartilhadas, entende-se que há vantagens sociais, econômicas e ganhos individuas e coletivos por esse modelo

Origens e evolução do coliving

Moradias compartilhadas não é algo exclusivo da geração millennial. Por volta de 1970, na Dinamarca, começou a surgir o cohousing, casas individuais construídas em terrenos compartilhados. Uma espécie de vila comunitária que se tornou muito popular em outros países. Temos também as repúblicas estudantis, como já citado.

Semelhantemente, em 1988, o arquiteto norte-americano Charles Durrett passou a adotar essa filosofia nos empreendimentos dele. Tanto que fundou o The Cohousing Company, uma organização que defende o convívio compartilhado como elemento essencial para uma sociedade mais sustentável.

Atualmente, o The Colective Old Oak, em Londres, na Inglaterra, é o maior coliving do mundo. Com quase 600 moradores, o espaço possui lotação média de 97% desde que foi inaugurado. Em relação aos preços, o aluguel dos quartos de 10 m2 varia de ¬850¬ a 2 mil libras, menos do que um apartamento, porém, mais caro que um quarto individual. Todavia, o sucesso foi tanto que mais dois prédios na cidade estão sendo adaptados para comportar colivings. A ideia é que novos locais sejam construídos no mundo, de modo a comportar pessoas que viajam constantemente.

Aqui, no Brasil, o coliving já está ganhando força. Por exemplo, o projeto Cohousing Brasil, da arquiteta Lilian Lubochinski. Um dos objetivos do projeto é prestar consultoria para a criação de espaços compartilhados para idosos, semelhante a iniciativas que já existem nos Estados Unidos, Canadá e Europa. O Casoca, no Rio de Janeiro, é uma comunidade focada no aprendizado. Já o Kasa, localizado em São Paulo, é um moderno prédio com 243 apartamentos com cerca de 30m2 e estrutura compartilhada.

O que você achou dessa tendência de moradia? Conseguiria viver assim? Conte para a gente nos comentários!

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