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Aline Zanoni: como o Instagram está mudando o mercado de arquitetura e decoração

arquiteta Aline Zanoni

Há uns 10 anos, se você quisesse decorar a casa, provavelmente, teria que seguir um caminho muito diferente do que pode ser feito hoje. Antes da popularização das redes sociais, procurar um profissional de arquitetura e/ou decoração, assim como referências e inspirações, não era tão acessível.

Hoje, quem está construindo, reformando ou decorando pode facilmente encontrar e seguir perfis no Instagram para ter dicas e inspirações. Do outro lado da tela, estão os produtores de conteúdo. Profissionais que, por meio das mídias digitais, conseguem mostrar trabalhos e captar clientes qualificados. Isso sem ter que, necessariamente, recorrer aos meios publicitários tradicionais.

Esse é o caso da arquiteta Aline Zanoni, mestre e doutoranda em Gestão Urbana que, desde 2017, atua ativamente no Instagram. Com dois perfis, o @arquitetaalinezanoni, com projetos de própria autoria, e o @arquiteturaz, mais voltado para inspirações, ela é responsável por influenciar uma base de, aproximadamente, meio milhão de seguidores apaixonados por esse universo.

No começo de 2017, depois de quatro anos trabalhando em uma grande empresa na área de edificações, Aline decidiu empreender na área de interiores. Foi nessa época que começou nas redes sociais. Depois de muita dedicação, ela percebeu um crescimento orgânico nos perfis (sem necessitar realizar investimentos financeiros em impulsionamento de postagens ou seguidores).

“A partir de um certo momento começaram a surgir varias pessoas interessadas pelo meu trabalho. O mais legal é que as pessoas não apareciam aleatoriamente, mas entravam em contato falando que gostavam dos meus projetos”, relembra Aline Zanoni.

Uma mudança de paradigma

Arquiteta Aline Zanoni

“Desde o começo, segui a mesma linha de qualidade e procurei postar algo que tenha a ver comigo. Afinal, se uma pessoa me segue pelo meu conteúdo, ela vai gostar de ver coisas que tenham a ver com o aquilo” Foto: Evilázio Coelho

Mais do que um portfólio on-line, o Instagram possibilitou uma verdadeira mudança comportamental e de negócios.

Isso pode ser visto nos consumidores, que demandam produtos com mais diferenciais e design agregado. Por outro lado, também é observado nas empresas. Uma vez que elas precisam desenvolver soluções para esse público, que está mais capacitado e informado do que antigamente.

Para Aline Zanoni, a jornada de pesquisa nas redes sociais serve para que as próprias pessoas descubram o que gostam. Entrando nesse mundo, pode ser que ela descubra coisas que jamais imaginou que seria possível.

O desafio, então, é explicar para o cliente o que dá certo, ou não, na prática, respeitando limitações de mercado, técnicas, composições e o próprio layout da casa da pessoa.

“Muitos clientes não têm noção do que funciona nas referências. Muitas vezes, eles nem entendem uma planta. Então, tenho que explicar detalhadamente o projeto, fazer um estudo de layout e trabalhar o conceito de uma forma que se encaixe na realidade da casa da pessoa”, conta a profissional.

O lado B

Além disso, há muitos seguidores que não têm condições financeiras de contratar um profissional para realizar um projeto. Vertente potencializada também pela cultura maker e o D.I.Y. Portanto, essas pessoas acabam reproduzindo na casa aquilo que encontram na internet. Nesse cenário, a responsabilidade do conteúdo que está sendo oferecido é ainda maior.

“Acontece muito de as pessoas gostarem de decoração e começarem a seguir profissionais, pesquisar e fazer algo sozinhas. Afinal, informações têm em todo lugar. Um cuidado que tenho é o de sempre embasar o que eu mostro com questões técnicas. Acredito que isso agrega valor tanto para mim, como profissional, como para as pessoas que querem fazer algo sozinhas”, acrescenta.

O lado “problemático” das referências é entender que nas redes sociais há uma espécie de filtro entre o mundo real e o que está na internet. Na maioria das vezes, os seguidores só veem a imagem do ambiente pronto, no qual o resultado é perfeito. Todavia, não têm acesso, por exemplo, a como esse espaço era no começo, quais as necessidades do cliente e/ou os desafios que o profissional teve para chegar naquele resultado.

Um mundo instagramável

As redes sociais estão influenciando a forma como as pessoas enxergam o lar e se inspiram para decorar a casa. Aline explica que isso é potencializado, simplesmente, pelo fato do acesso facilitado aos projetos. Uma vez que constantemente o feed está sendo atualizado com imagens de projetos modernos e bonitos. Consequentemente, as pessoas têm mais vontade de ter aquilo.

arquiteta Aline Zanoni

“Minha função é adequar o que o cliente mostra para a realidade dele. Já aconteceu de virem com referências de cozinhas gigantescas com ilha e a cozinha ser aquelas compactas dos apartamentos atuais” Foto: Evilázio Coelho

Há também o aspecto comportamental. Hoje em dia, tirar fotos e postar nas redes sociais é um hábito da maioria das pessoas. Fazendo com que o mundo real tenha que, de certa forma, corresponder com as expectativas do que se deseja mostrar. Criando assim os chamados espaços “instagramáveis”.

No caso da arquiteta Aline Zanoni, ela conta que já teve demanda de comércios que pediram espaços instagramáveis. “Até os espaços comerciais estão incorporando esse conceito. No caso, para o cliente dele tirar uma foto e mencionar que está lá. Porque isso também é uma propaganda gratuita que o cliente faz”, menciona Aline.

Demanda de mercado

Entretanto, não é somente na arquitetura que esse novo comportamento está impactando o varejo. Uma vez que os influencers mostraram as possibilidades de ter um lar mais bonito e as soluções que existem no mundo, as pessoas, mesmo aquelas que não tem condições de ter um produto de alto padrão, passaram a ter o desejo de uma casa mais moderna.

“As fabricantes se reinventaram, trouxeram design de fora para o Brasil e foram se adaptando. Elas fizeram uma releitura para, de certa forma, democratizar o acesso aos produtos mais elegantes. Isso mesmo para quem não tem condições de ter algo de alto padrão. Então, mesmo nas lojas mais populares, é possível agregar design e compor a decoração do lar. Todo mundo está buscando algo mais em conta e há opções para todos os bolsos”, finaliza Aline Zanoni.

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