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Varejo digital brasileiro: o que falta para o setor ganhar competitividade global?

Varejo Digital - Amaro Lima - Head Comecial da haus&afins

O mercado brasileiro tem passado por uma profunda transformação digital nos últimos anos. Ao mesmo tempo, o e-commerce cresce em faturamento e relevância na jornada de compra. Entretanto, no âmbito do varejo digital – conceito mais amplo no qual o e-commerce é um dos atores dessa nova modalidade – ainda há necessidade de crescimento e inovação para alcançar patamares de competitividade global.

De acordo com o Ranking Global de Competitividade Digital do IMD, em parceria com a Fundação Dom Cabral, o Brasil aparece na 57º posição de uma lista com 63 países. Portanto, o país precisa correr atrás do tempo perdido para melhorar a competitividade digital no cenário mundial.

Inseridos nesse contexto, players dos mais variados segmentos estão correndo para se tornarem referências no ecossistema digital e ditar tendências. Todavia, esbarram no desafio de superar a complexidade envolvida nessa transição de uma economia tradicional para uma digital.

Contudo, o Brasil apresenta um ambiente propício — e que tende a melhorar cada vez mais — para inovação no varejo digital. Uma prova disso é o Índice de Transformação Digital, da Dell Technologies, que coloca o Brasil no topo da lista dos países com maior maturidade digital, junto com Tailândia e Índia.

Insistir é essencial, quando o negócio é lidar com as complexidades do varejo digital

Em meio a esse cenário global, instável, complexo e cada vez mais desafiador, o varejo digital brasileiro enfrenta as próprias peculiaridades.

Apesar de difícil, insistir é essencial para obter destaque, afinal, por mais que os próximos anos ainda sejam desafiadores, as perspectivas são promissoras para quem permanecer focado e inovando.

A análise do Head Comercial da haus&afins, Amaro Lima, vai ao encontro do exposto. Apesar de o varejo digital brasileiro crescer, ainda está longe de alguns mercados de maior proeminência, principalmente, do americano.

Essa necessidade de evolução, segundo ele, é exigida pelo próprio consumidor, cujo comportamento de compra já demonstra necessidades tecnológicas mais avançadas.

“O Brasil é um dos países que mais utilizam redes sociais, mas quando essa condição é pautada em comprar pela internet, ainda há um gap. Temos visto também, a cada dia, uma nova startup entrando no mercado, mas as empresas tradicionais ainda não compraram essa ideia”, comenta Lima.

Amaro Lima, Head Comercial haus&afins Foto: The Cageless
“A insistência em buscar conhecimento, crescer e estar atento a todo tipo de possibilidade tecnológica é essencial para garantir o crescimento das vendas e aprender a lidar com as complexidades do varejo digital.” Amaro Lima, Head Comercial haus&afins. Foto: The Cageless Studio, no Café e Livraria Arte&Letra.

Dados positivos

O varejo digital já dá sinais de ser um canal promissor há muitos anos. Basta observar, por exemplo, o desempenho das vendas online nos últimos anos e as novas projeções.

Segundo o relatório Webshoppers, do instituto Ebit/Nilsen, o faturamento do e-commerce em 2019 deve crescer 12% em relação a 2018, totalizando cerca de R$ 61,2 bilhões.

Na análise 2018 ante 2017, o comércio virtual cresceu 12%, somando R$ 53,2 bi em faturamento. Avançando mais, o e-commerce em 2017 cresceu 7,5% em faturamento na comparação com 2016, ocasião em que somava 7,4% de alta frente 2015. O varejo offline, por outro lado, não consegue ostentar dados positivos nos mesmos patamares e constância.

O fato do comércio físico não conseguir angariar crescimento em vendas, ao passo em que o e-commerce coleciona suscetivos anos de crescimento, não significa que novos compradores estão surgindo. O que acontece é que as pessoas estão mudando o hábito de compra, priorizando uma jornada de compra multicanal na qual on e offline se integram.

“Eu acredito que a jornada de compra das pessoas está cada vez mais qualificada e não complexa, pois quando a empresa aprende a trabalhar bem a captação de leads, prospectando um público correto para o segmento, e atuando de forma natural a audiência e o engajamento, garantirá otimização para as decisões comerciais”, defende o Head Comercial.

varejo digital

O maior entrave para o varejo digital ganhar competitividade ainda é a mudança de mindset dos empreendedores brasileiros, aponta Amaro. Foto: The Cageless Studio, no Café e Livraria Arte&Letra.

Investimentos e inovação são fundamentais para alavancar o crescimento do varejo digital

Um estudo da Harvard Business Review — que mede o nível de competitividade digital dos países — dividiu as nações em quatro zonas de desenvolvimento tecnológico e transformação digital. Na categorização, o Brasil está entre os grupos que recebem pouco investimento no sentido da transformação digital da economia.

Há um grande potencial de desenvolvimento latente. Isso pode ser alcançado se feitos os investimentos necessários e criadas as políticas certas para tal. Dentre as principais áreas-alvo da transformação digital no Brasil, o varejo é uma das grandes apostas do governo, que já tem praticado algumas iniciativas para gerar oportunidades para esse segmento.

Segundo Amaro Lima, existem vários entraves que impedem um maior crescimento e consolidação do varejo digital no Brasil. Um deles seria a lentidão da indústria para “entrar de cabeça” em um processo de produção integrado com o canal on-line, sendo a maioria voltado ao offline.

“A cadeia logística também é outro entrave, o Brasil é muito grande e não tem muitas transportadoras que atendem todo o território nacional. Isso dificulta porque o varejo digital é muito amplo, tem vários formatos, dimensões e pesos de produtos. Porém, a maior dor ainda é a mudança de mindset dos empreendedores brasileiros”, frisa Lima.

Um novo mindset

O head comercial da haus&afins explica que muitos empreendedores ainda se sentem inseguros para investir nesse meio.

Isso acontece, principalmente, por falta de conhecimento específico do setor e/ou em que investir. Inclusive, porque muitos ainda partilham da mentalidade de que no e-commerce é tudo sobre queimar preço.

“Acredito que o comportamento do consumidor evolui mais rápido do que o comércio e a indústria, mas as empresas que insistem em aprender esse novo momento da venda digital são as que farão a diferença”, observa Lima.

E esse cenário só será positivo, complementa o especialista, se a empresa souber trabalhar bem ferramentas de inteligência artificial para automatizar algumas funções.

Leia mais: CEO da haus&afins fala dos desafios do primeiro ano de atuação da loja virtual

O executivo acrescenta que essa automatização não deve ser regra, pois o consumidor ainda necessita de contato humano para se sentir seguro na hora de fechar uma compra.

No ambiente on-line, existem categorias de produtos que necessitam de um acompanhamento humano, sendo esse diferencial proporcional às taxas de conversão.

Atualmente, não tem como uma empresa evoluir sem estar totalmente conectada às mudanças que o varejo digital proporciona.

“Para ter sucesso nesse setor é preciso ser um ditador de tendências, ser um profissional ou empresa sedenta em buscar conhecimentos e também ter parceiros ousados para somar forças em estratégias diferentes do que o mercado pratica”, finaliza Lima.

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Um comentário sobre “Varejo digital brasileiro: o que falta para o setor ganhar competitividade global?

  1. Elke Juliano disse:

    Muito boa a reportagem!!!

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